Aferi

Metodologia · Ranking de Gestão Fiscal da STN

Como o Tesouro calcula a nota — e como o Aferi reproduz fielmente.

O Ranking avalia a qualidade da informação contábil e fiscal de cada ente pelo indicador ICF. O Aferi roda essa mesma metodologia localmente, com a memória de cálculo completa — sem inventar pesos, faixas ou critérios. Esta página documenta exatamente o que está por trás da nota.

  • 4 dimensões

    Agrupam as verificações por tema. São rótulos de exibição — não pesos.

  • Soma de pontos

    Nota = pontos obtidos ÷ pontos máximos do ano. Cada verificação vale até 1 ponto.

  • 5 faixas oficiais

    A ≥ 95% até E < 65%. Imutáveis, definidas pela STN. Aferi não cria faixa própria.

O indicador

O que é o ICF e por que ele importa

O ICF (Indicador de Qualidade da Informação Contábil e Fiscal) mede o quanto a informação que o ente envia ao Tesouro é completa, tempestiva e consistente. Ele é a base do Ranking de Gestão Fiscal, publicado anualmente pela STN.

O ICF não avalia se a gestão gasta bem ou mal — avalia a qualidade da prestação de contas: se todas as declarações foram entregues, dentro do prazo, sem excesso de retificações, e se os valores batem entre os diferentes relatórios. É um indicador de confiabilidade da informação fiscal.

  • Acesso a transferências voluntárias e operações de crédito muitas vezes considera a posição no ranking.
  • A nota é um sinal público de governança fiscal — pesa na reputação do ente perante TCE, MP e cidadãos.
  • A STN só publica o resultado uma vez por ano: quem espera o resultado oficial perdeu a janela de ajuste.

A estrutura

As 4 dimensões e suas fontes

As verificações são organizadas em quatro dimensões temáticas. Cada uma bebe de relatórios oficiais distintos do SICONFI. As dimensões servem para organizar e diagnosticar a nota — não recebem peso diferente no cálculo.

  1. DI

    Gestão da Informação

    Entrega de todas as declarações, tempestividade do envio, número de retificações e estrutura da MSC.

    Fonte: MSC mensal (encerramento em dezembro)

  2. DII

    Contábil

    Aderência ao MCASP — consistência dos saldos contábeis e do plano de contas aplicado ao setor público.

    Fonte: DCA anual homologada + MSC de encerramento

  3. DIII

    Fiscal

    Aderência ao MDF — limites da LRF, receita corrente líquida, despesa com pessoal e endividamento.

    Fonte: RREO 6º bimestre + RGF 3º quadrimestre

  4. DIV

    Contábil × Fiscal

    Igualdade dos valores declarados entre os relatórios: o que está na DCA precisa bater com RREO, RGF e MSC.

    Fonte: Cruzamento DCA × RREO 6º × RGF 3º × MSC dez.

O cálculo

Como a nota é calculada

A nota do ICF é uma fração simples: o total de pontos que o ente conquistou dividido pelo total de pontos possíveis no ciclo. Nada de média ponderada, nada de bônus.

Nota ICFΣ pontos obtidosΣ pontos possíveis no ano
Exemplo ilustrativo: 151 pontos obtidos ÷ 171 possíveis = 88,4% — Faixa B.
  • Cada verificação vale até 1 ponto

    A maioria é binária (cumpriu = 1, não cumpriu = 0). Algumas são proporcionais — por exemplo, 5 de 6 bimestres do RREO entregues rende 0,833; retificações podem valer 0,5 a 1,0.

  • Sem pesos por dimensão

    Um ponto na dimensão Fiscal vale exatamente o mesmo que um ponto na Gestão da Informação. As dimensões só agrupam verificações para leitura e diagnóstico.

  • O denominador é o máximo do ano

    É a soma dos pontos de todas as verificações aplicáveis àquele exercício e àquela esfera. Por isso a nota é sempre um percentual entre 0% e 100%.

O resultado

As 5 faixas oficiais

O percentual final classifica o ente em uma das cinco faixas — de A (excelente) a E (crítica). Os limites são definidos pela STN e o Aferi os reproduz sem alteração. A faixa é sempre comunicada por letra, ícone e texto, nunca apenas por cor.

Exemplo: uma nota de 88,4% cai na faixa B.

Faixas oficiais do ICF, com letra, classificação e intervalo de percentual.
FaixaClassificaçãoIntervalo da nota
Excelente95% a 100%
Boa85% a 94,9%
Regular75% a 84,9%
Atenção65% a 74,9%
Críticaabaixo de 65%

O calendário

As datas de corte do ciclo

A STN congela os dados em uma data específica — a publicação do BSPN (Balanço do Setor Público Nacional), normalmente em maio do ano seguinte ao exercício. Tudo que entrou até essa data conta; o que chegou depois fica para o próximo ciclo. É por isso que a tempestividade é avaliada contra esse corte, não contra o dia de hoje.

Datas de corte por ciclo do Ranking, com o exercício avaliado e a data do BSPN.
CicloExercício avaliadoData de corte (BSPN)
2025202413/05/2025
20242023maio/2024
20232022maio/2023

O Aferi usa a data de corte vigente do ciclo para julgar cada entrega — entregas retificadas (RE) seguem contando como tempestivas, pois pressupõem entrega original aceita dentro do prazo.

O denominador

Quantas verificações — e por que o número cresce

O catálogo tem cerca de 200 verificações, mas nem todas valem para todos os entes em todos os anos. Para um município, o total de pontos possíveis saiu de aproximadamente 60 em 2019 para cerca de 171 em 2024 — porque a STN incorpora novas verificações a cada ciclo, à medida que a metodologia amadurece.

A regra que decide se uma verificação entra na conta de um ente em um ano é a matriz de aplicabilidade, codificada por T / E / M / N para cada combinação de verificação, exercício e esfera (município, estado, DF ou União). O Aferi monta o denominador filtrando exatamente por essa matriz — é o que faz a nota local bater com a oficial.

Códigos da matriz de aplicabilidade e se contam no denominador.
CódigoSignificadoConta no denominador?
TAplicável e avaliada normalmenteSim
EAplicável a partir daquele exercício (entrou no ano)Sim
MAplicável apenas a algumas esferas (ex.: só municípios)Conforme a esfera
NNão aplicável àquele ano/esferaNão

Vocabulário

Glossário

Os termos que aparecem ao longo da metodologia, em uma linha cada.

ICF
Indicador de Qualidade da Informação Contábil e Fiscal. É a nota do Ranking de Gestão Fiscal da STN, expressa em percentual e classificada de A a E.
Tempestividade
Entrega da declaração dentro do prazo legal, antes da data de corte do ciclo. Entregas fora do prazo perdem ponto na dimensão de Gestão da Informação.
Homologação (HO)
Status de uma declaração validada e aceita pelo SICONFI. Só declarações homologadas contam como entregues para fins de tempestividade e cálculo.
Retificação (RE)
Reenvio corrigido de uma declaração já entregue. A retificação não invalida a tempestividade — pressupõe que a entrega original foi aceita dentro do prazo.
Esfera
Nível de governo do ente: município, estado, Distrito Federal ou União. A esfera define quais verificações se aplicam ao ente.
RREO
Relatório Resumido da Execução Orçamentária. Bimestral; o 6º bimestre fecha o exercício e alimenta as verificações fiscais.
RGF
Relatório de Gestão Fiscal. Quadrimestral (ou semestral para entes menores); o 3º quadrimestre é o usado no ciclo anual.
DCA
Declaração de Contas Anuais. Consolida o balanço contábil do exercício; é a base da dimensão Contábil.
MSC
Matriz de Saldos Contábeis. Envio mensal dos saldos detalhados; o fechamento de dezembro é o usado no ranking.